May 18, 2009

Posted by Neto Cury in blogosfera

Síndrome do Escritor Profissional

Ultimamente tenho visto um estranho sintoma que tem atacado muitos blogueiros que leio há tempos. Vou chamar este estranho sintoma de “Síndrome do Escritor Profissional” ou, como gostamos muito de siglas, chamarei carinhosamente de SEP.

Todos os blogueiros iniciam seus blogs com um único propósito: Blog pessoal! Um lugar para se postar sobre o cotidiano e compartilhar com seus leitores as suas preferências e gostos.

O problema é que com o tempo, o blogueiro passa a fazer parte da Blogosfera, passando a ler outros blogueiros, o que leva-o a ser influenciado para escrever mais profissionalmente, deixando o blog pessoal de lado, ou seja, aquele espírito de amadorismo cai por terra. A palavra amador pode, muitas vezes, ser interpretada erroneamente como uma coisa pequena ou ruim, mas quem é amador, faz porque AMA aquilo que faz!

A maioria dos blogueiros têm pelo menos algum conhecimento de SEO, e é sabido que quanto mais postagens, maiores as chances de aumento visitantes e consequentemente o aumento de pagerank do blog, mas ignoram esses conhecimentos pois, postar um vídeo que se gosta, um site que você descobriu algum conteúdo legal, passou a ser considerado uma postagem simples ou não profissional, ou seja, vai contra todos os conhecimentos de como se aumentar as visitas, pagerank e, na maioria dos casos, os ganhos com propagandas.

Infelizmente a simplicidade do blog pessoal morreu, talvez até o surgimento de serviços como Twitter ou Tumblr  tenha sido o estopim para tal sentimento, já que, uma vez que você abandonou a postagem de coisas simples no blog pessoal, há que se encontrar um serviço específico para a postagem de tais conteúdos.

Desde quando somos obrigados a escrever textos longos, truncados e às vezes até chatos? Qual a vantagem de tirar essas postagens do seu blog para espalhar em vários outros serviços? Por que nos forçamos a isso?

A você, meu amigo blogueiro portador da SEP, aconselho rever seus conceitos e ir buscar aquele blogueiro que está quase morto, extinto, que postava coisas simples, bobinhas, indicações de sites, etc, não esqueça que foi este blogueiro que criou os vínculos que você possui hoje na blogosfera, foi esse blogueiro que criou as raízes.

Não estou dizendo que não se deve evoluir na blogosfera, sim, deve-se, mas, da mesma maneira que em nossas vidas não devemos esquecer da criança interior, também não devemos nos esquecer daquele blogueiro que iniciou aquele blog pessoal, simples e com postagens curtas e divertidas e que te fez conhecido no mundo virtual como você é hoje!

Uma coisa interessante é que os blogueiros tem a mania de desviar/transformar o funcionamento das coisas/serviços:

Veja só:

  • Blog - O que era pra ser uma página pessoal, virou uma ferramenta com muitas outras utilidades, inclusive (e por que não?) ganhar dinheiro, mas se você realmente usar o blog pra fazer algo pessoal, que era seu verdadeiro intento, imediatamente transforma-se em “diarinho”.

  • Twitter: O slogan é claro! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? Com esse princípio em mente, se você escrever o que você está fazendo, você é um chato que ninguém segue, por exemplo se você postar as músicas que está ouvindo, ou simplesmente que página da internet você está visitando.

Estes são só alguns exemplos, já que blogueiros também são internautas e como tais, também desviaram o uso do e-mail, que era pra ser a forma eletrônica de troca de correspondências, mas passou a ser ferramenta de troca de piadinhas, pornografia, etc.

Recomendamos ler outros textos sobre este tema
  1. Olá Neto,
    Gostei muito da matéria e concordo com seu ponto de vista.
    No meu blog, por exemplo, tento equacionar minha vontade de escrever com a expectativa que os leitores tem ao visitá-lo.
    Assim, escrevo um pouco para mim e um pouco para eles, sem considerar o tráfego gerado.
    Indiretamente, a combinação parece que tem dado resultados, pois não posso reclamar da visitação.
    No fundo, acho que obter muitas visitas não é necessariamente errado, desde que não se use de meios “maquiavélicos” para tanto, e que não se perca o sentido de “diversão” para o autor que o blog deve ter.
    Quanto ao desvirtuamento das tecnologias, acho que isso é uma características: o Twitter, o e-mail e até mesmo a internet são “idéias” que realmente transcenderam o motivo pelo qual foram concebidas, com usos para os quais seus criadores nunca imaginaram.
    Isso, entendo eu, não vem dos usuários, mas sim é uma “evolução natural”.
    grande abraço,
    Xcobar

    • Neto Cury says:

      Sim, entendo e concordo com seu ponto de vista, mas o que quis dizer sobre a evolução e mudança do uso das ferramentas, não estava criticando o uso que se faz do Twitter, acho tudo maravilhoso, mas eu quis criticar os usuários da ferramenta, por exemplo:

      Se eu postar no twitter o seguinte: “Indo para o dentista” Com certeza perderei alguns seguidores, pois eu só posto “o que estou fazendo” O_o
      Se eu postar no meu blog: “estou puto, estava escrevendo um artigo imenso, caiu a energia e o texto não foi salvo, não devia ter saído da cama hoje!” Com certeza perderei alguns visitantes/leitores pois meu blog virou diarinho…

      entendeu onde quero chegar?

  2. A observação do post é pertinente. Acredito que se deva encontrar o caminho do meio. Longos e maçantes arrazoados ninguém lê- assim como um blog fútil não desperta interesse.

    • Neto Cury says:

      Eu concordo contigo, mas a realidade me descredita!
      Vou usar um exemplo meu mesmo:

      Escrevi um artigo desse, longo para os meus padrões, e recebi dois comentários. Escrevi algumas palavras idiotas sobre o funk do twitter, embedei o vídeo e recebi um caminhão de comentários em apenas um dia….

      Triste, muito triste.

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